
Imagem: “Estado de Minas” trabalhadores de um supermercado em BH conquistaram o fim da escala 6 X 1 com mobilização, porém mantendo as 44 horas semanais
28 de abril, é o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente do Trabalho. Uma data consagrada em todo o mundo como de luto, mas também de reflexão. Inspirada na explosão de uma mina ocorrida no ano de 1969 provocando a morte de 78 trabalhadores no estado da Virgínia nos Estados unidos, é celebrada desde 2003.
De acordo com levantamento realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) os acidentes de trabalho em nível mundial atingiram a cifra de 395 milhões de casos em 2024 e no Brasil segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, somente no primeiro semestre de 2025, ocorreram 413.383 acidentes de trabalho com 1.689 mortes. Esse número representa um aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com isso o país ocupa posição de destaque nesse trágico ranking global.
A Lei 8.213/91, Lei Previdenciária brasileira, em seu artigo 20, inciso I, define como acidente do trabalho as doenças profissionais, aquelas produzidas ou desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade; e no inciso II do mesmo artigo, as doenças do trabalho, as adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente.
Atualmente no Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, as doenças do transtorno mental aparecem entre as de maior incidência, juntamente com as LER/DORT, ambas de maior ocorrência entre bancários, e a cada ano esses números aumentam.
Em 2025, 546.254 trabalhadores brasileiros se afastaram do trabalho por problemas relacionados ao sofrimento mental, com destaque para a ansiedade e a depressão, mas os casos de burnout ou síndrome do esgotamento profissional triplicaram de 2023 a 2025, chegando a 6.900 incapacidades. As causas mais frequentes estão ligadas ao assédio moral e outras violências organizacionais, à pressão por produtividade e ao excesso de carga de trabalho.
Atualmente, no centro do debate da sociedade, o fim da escala 6 X 1 sem redução salarial, tema cuja aprovação é de mais de 70% da população, será um importante instrumento a contribuir com a redução desses números alarmantes de adoecimento, proporcionando melhor qualidade de vida para milhões de trabalhadores sujeitos à essa prática dos empregadores altamente prejudicial à saúde por lhes roubar tempo de lazer, convívio com a família e vida para além do trabalho.
Em 2026, ano eleitoral, é oportuno lembrar, neste 28 de abril, a importância de acompanhar com atenção os debates no Congresso Nacional para não corrermos o risco de eleger ou reeleger parlamentares de direita e extrema direita que se contrapõem ao projeto de lei do fim da escala 6 X 1, assim como de outras propostas em benefício da população, preocupados com a suposta redução dos lucros de empresários, seus patrocinadores, em detrimento da melhoria da vida e da saúde dos trabalhadores.
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