Publicação interna da Caixa encaminhada a seus “líderes” resume a proposta negociada neste ano. Vale destacar, aqui, o reajuste salarial e novo modelo de custeio do Saúde Caixa, na definição da própria Caixa.
Reajuste
O reajuste salarial, a exemplo do que ocorre desde a negociação de setembro de 2016, é a aplicação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais a quirela rotulada de ganho real. Do mencionado ano até a data-base de 2027 – na proposta, de renovação bienal, reajuste já definido – o ganho acumulado acima do INPC será de 4,90%, ou 0,40% em cada data-base. Qual o impacto desse percentual em organizações do ramo financeiro, Caixa incluída? Provocar gargalhadas em banqueiros.
Saúde Caixa
No tópico Saúde Caixa, o deboche. Na publicação, menciona-se “uma proposta que preserva o Saúde CAIXA, benefício essencial para os empregados, aposentados, pensionistas e suas famílias”.
Corrija-se: não se trata de benefício, e sim de direito, cujo financiamento se faz, mais e mais, pelos próprios usuários. Em 2025, a despesa total, consideradas as de natureza assistencial e administrativa, foi bancada pela Caixa, 47%, e usuários, 38,7%, com a diferença caracterizando déficit. Até 2021, a Caixa era responsável por 70% da despesas assistenciais e 100% das despesas administrativas, cabendo a empregados, aposentados e pensionistas os 30% restantes. Eventual déficit não eliminava tal proporção.
No documento afirma-se que “A CAIXA apresentou proposta de um novo modelo de custeio para enfrentar os desafios de reequilíbrio do Saúde CAIXA”. Reequilíbrio? O equilíbrio se perdeu quando definido, inclusive nas versões do Acordo Coletivo de Trabalho firmadas desde 2018, o recolhimento pela Caixa de montante limitado a 6,5% de sua folha de pagamentos e da folha de benefícios Funcef, desta excluídos valores do INSS.
Compromisso?
A CAIXA, diz ainda o documento, “se compromete a encaminhar medidas que ampliam sua contribuição para o equilíbrio do plano” e melhorar a oferta de serviços.
Há que se dar crédito a mais uma promessa? Quais seriam essas medidas? Por que apenas a hipótese de medidas futuras, em vez de adotá-las agora? Por que a opção é de fórmula de custos bem mais elevados a empregados, aposentados e pensionistas?
Para a Caixa, o novo modelo estaria baseado em princípios de solidariedade e de mutualismo, conclusão estranha enquanto implementa custos por faixa etária e segrega aposentados e pensionistas, punindo-os com alíquotas e valores máximos definidos em suas tabelas. Por fim, uma promessa que pode ser cumprida: a Caixa estuda eliminar a autogestão e instituir CNPJ para o Saúde Caixa. A pretensão seria transferir o plano a algum seguradora privada?
No novo modelo não há, também, espaço para eliminar a perda de direito ao Saúde Caixa, quando do desligamento da Caixa, mesmo que por aposentadoria, aos concursados admitidos a partir de 1º de setembro de 2018. São, até agora, 14.400 empregados discriminados em relação aos admitidos até agosto daquele ano.
O novo modelo do Saúde Caixa é punição a empregados, aposentados e pensionistas. Nada mais que isso.
Leia a síntese do novo Saúde Caixa: https://agoraeparatodos.com.br/a-sintese-da-proposta-e-as-ameacas-ao-saude-caixa/