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APCEF/SP 118 anos

A história registra que em 07 de abril de 1907 era fundada a Sociedade Beneficente dos Funcionários da Caixa Econômica Federal de São Paulo, segundo o Artigo 1º do Estatuto da APCEF/SP, essa foi sua origem há 118 anos, portanto.

O mesmo artigo do Estatuto revela ainda que, entre o tempo transcorrido de lá para cá, o nome da entidade foi alterado algumas vezes, passando por Associação dos Servidores da Caixa Econômica Federal de São Paulo, em 1948, posteriormente Associação Beneficente dos Economiários Federais de São Paulo (ABEF), em 1971 e, finalmente, em 03 de setembro de 1988, Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal de São Paulo (APCEF/SP).

Salvo uma ou outra informação adicional esparsa, isso é tudo o que se sabe sobre os fatos acontecidos no âmbito ou no entorno da associação durante aproximadamente os primeiros 75 anos de sua existência. Ou seja, até a primeira metade da década de 1980. Fatos envolvendo os empregados, a quem a associação, em suas diversas configurações ao longo do tempo pretensamente representam e representaram, e à própria instituição a qual são vinculados, a Caixa Econômica Federal.

Mesmo considerando a escassez de dados históricos, é possível imaginar, não apenas o cenário, mas também como as coisas se deram naquele longínquo dia no primeiro decênio do século passado: provavelmente em uma sala localizada em uma dependência da própria empresa, no Centro Velho da cidade, poucas pessoas, todas, homens brancos de meia idade, engravatados, decidem, por votação unânime, criar uma agremiação para a defesa de interesses corporativos dos trabalhadores da empresa; incluindo, embora, possivelmente sem direito a voto e qualquer condição de interferência em seus destinos, até os servidores mais humildes, faxineiros, copeiros, porteiros etc., lembremos, naquela época não havia terceirização.

A descrição acima, evidentemente, não tem a pretensão de reportar fielmente as circunstâncias em que se deu sua criação, tampouco menosprezar a importância da efeméride, absolutamente legítima e louvável, mas apenas traçar um cenário possível, considerando a conjuntura da época, para que, mesmo de forma hipotética, possamos avaliar o processo de evolução da entidade para compararmos com o que ela se tornou nos últimos quase 50 anos.

Uma última suposição, para passarmos a analisar o significado de o conjunto dos empregados da Caixa do estado de São Paulo ter construído ao longo de tantos anos e, consequentemente, tantas gerações, uma entidade representativa do porte da APCEF/SP, sendo inclusive referência e inspiração para os colegas de todas as demais unidades da federação, pois, já há vários anos, existem apcefs em todos os 26 estados e no Distrito Federal, bem como a FENAE para as congregar, prestes a completar 54 anos; mas, provavelmente, aqueles respeitáveis senhores de 1907 não sonhavam com tamanha longevidade e importância.

Mas ainda antes de falarmos sobre o passado recente, a partir de meados dos anos 1980, é importante citar um dos poucos fatos conhecidos da história anterior. A instituição fundada em 1948, originalmente foi criada como Grêmio dos Empregados da Caixa Econômica Federal de São Paulo, formalmente com o objetivo de promover esporte e atividades sociais, porém seu objetivo real era a defesa dos empregados e se contrapor à entidade fundada em 1907, pois era vista como comprometida com a direção da Caixa.

O grupo de empregados que liderou a iniciativa era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e tinha que disfarçar seu objetivo verdadeiro, pois o partido havia sido colocado na clandestinidade um ano antes pelo governo do Marechal Dutra que, alinhado com os Estados Unidos, persseguia os comunistas e reprimia os movimentos sociais. Em 1956, com o relativo distencionamento político ideológico, altera sua denominação para Associação dos Servidores da Caixa Econômica Federal de São Paulo, conforme registra o artigo 1º do estatuto atual.

Durante os anos da ditadura militar, a Sociedade Beneficente dos Funcionários da Caixa Econômica Federal de São Paulo e a Associação dos Servidores da Caixa Econômica Federal de São Paulo, coexistiram sem se envolver em conflitos que pudessem colocar em risco seus representantes legais, até que em 1971, ambas foram unificadas, dando origem à ABEF, intensificando o compadrio com as sucessivas direções da empresa e com o próprio governo federal.

No final dos anos 1970 e início dos 1980, com a efervescência da luta contra o regime militar e a retomada dos movimentos sociais, inicia-se a organização dos empregados Caixa, a partir da luta dos Auxiliares de Escritório e dos Escriturários básicos, admitidos nos concursos de 1980 e 1984, culminando com a luta das 6 horas, sindicalização e o reconhecimento dos, então, economiários como bancários.

Nessa altura dos acontecimentos, não somente a APCEF/SP, à época ABEF, como a maioria das associações em todo o país, bem como a própria Fenae, foram instadas a se envolverem de forma mais comprometida com as reivindicações de seus afiliados e passaram a apoiar materialmente essa luta, cedendo espaços, linhas telefônicas, meios de transporte e mesmo recursos financeiros para que o movimento pudesse melhor se estruturar, viabilizando a organização e realização da histórica primeira greve dos bancários da Caixa, a paralisação de 24 horas no dia 30 de outubro de 1985, conquistando a jornada de 6 horas, o reconhecimento com bancários e o direito à sindicalização nos sindicatos de bancários de todo o Brasil.

A partir daí o movimento dos empregados se consolidou e em 1986 disputou e ganhou as eleições, transformando definitivamente o papel da associação. Em 03 de setembro de 1988 foi realizada assembleia de mudança do estatuto em que a proposta da diretoria foi aprovada, alterando o nome para Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal.

Processo semelhante se deu, praticamente, em todas as associações dos demais estados e, cada uma a seu momento, disputaram as eleições e colocaram pessoas ligadas ao movimento em suas respectivas direções. Com o tempo todas promoveram alterações estatutárias adotando o nome APCEF. Naturalmente não se pode negar o pioneirismo, a liderança exercida pela organização dos bancários da Caixa em São Paulo e o papel de sua entidade associativa no processo de organização dos trabalhadores da empresa em todo o país e na mudança de caráter das demais, passando a lutar efetivamente pelos direitos de seus representados.

Nos anos que se seguiram, muitas foram as lutas e muitas as conquistas, mas houve também revezes, porém, a organização e a força da unidade desses empregados, sempre apoiados pela associação, jamais arrefeceram, conseguindo recuperar muitos direitos retirados e reverter perseguições, como a reintegração de tantos quantos foram os demitidos ao longo dos anos 1980, 1990 e início dos 2000, fruto da truculência de administrações indicadas pelos diversos governos desse período.

A passagem do 118º aniversário da APCEF/SP é uma excelente oportunidade para refletirmos se sua atual direção tem se colocado à altura de representar os interesses dos associados, ativos e aposentados, em todo o estado, seja na defesa de seus direitos e interesses do ponto de vista da relação de trabalho com a Caixa, seja em suas demandas nos outros aspectos importantes da vida associativa como nas áreas cultural, esportiva e social.

Não se pode admitir que a associação se transforme em uma instituição burocrática e descolada das necessidades de seus representados, deixando de lado o compromisso que assumiu historicamente com o movimento dos empregados desde sua origem.

#APCEF/SP118Anos
#PorUmaAPCEFComprometidaComALutaDosEmpregados

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