Previdência e Saúde

O sentido do Janeiro Branco e o fim da jornada 6 X 1

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios relacionados ao sofrimento mental são as doenças do início de século XXI, sendo que o Brasil lidera o ranking mundial dos transtornos de ansiedade, com 18 milhões de casos, representando 9,3% da população. A depressão também é um problema a preocupar as autoridades, em especial após a pandemia da covid 19, responsável por um crescimento de 25% dos casos, também em consonância com a observação da OMS.

Com o objetivo de sensibilizar todos os cidadãos e as autoridades sobre a necessidade de zelar pelo bem-estar psicológico da população, Leonardo Abrahão, psicólogo mineiro, no ano de 2014, teve a ideia de lançar a campanha do Janeiro Branco, inspirada no Outubro Rosa e no Novembro Azul, criando um movimento nacional a respeito do problema, estimulando outras medidas institucionais e a busca, pelas pessoas, de tratamento especializado.

O profissional entendeu ser janeiro o mais adequado por ser o primeiro mês do ano, momento em que normalmente as pessoas refletem sobre a vida de modo geral e se propõem a novas iniciativas com vistas a uma mudança radical em seus hábitos e comportamentos. Ao mesmo tempo, com as atividades cotidianas, muitas vezes, durante todo o ano não se têm momentos em que se possa parar para observar e as intercorrências, as quais não podemos evitar, afetam a vida de modo geral a e saúde, em especial, com reflexos no nosso emocional.

Adoecimento mental no trabalho

Diversos estudos acadêmicos e experiências de entidades sindicais, bem como atuação institucional de auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, comprovam de forma inequívoca, como os ambientes e a organização do trabalho são responsáveis por inúmeros casos, seja como causa original ou fator de agravamento de grande número de doenças mentais, provocando, a incapacidade e o afastamento do trabalho.

Essa constatação aponta o crescimento dos casos já no final dos anos 1990, quando da intensificação do modelo neoliberal no Brasil e a implantação das chamadas “novas formas de gestão do trabalho”, a promover uma política de aumento da produtividade a qualquer custo, tendo como estratégia o incentivo à competição entre os trabalhadores de um mesmo local e ao individualismo com a doção de medidas de pressão psicológica como o assédio moral e outras formas de violência, na tentativa de extrair o máximo de resultados da força de trabalho.

Nesse sentido, o jornalista Leonardo Sakamoto, em artigo publicado no portal Uol, recentemente, relaciona o aumento exponencial das doenças mentais e os afastamentos de trabalhadores, com a urgência da aprovação de Lei proibindo a jornada 6 X1. Em especial, mas não só, como consequência do burnout, que ele chama de “fritura por excesso de trabalho” e ainda afirma não se tratar de “frescura”, mas de “colapso”.

O artigo menciona ainda outras consequências das pressões e jornadas desumanas, tais como depressão, ansiedade, dores físicas, medo e prostração, como parte da rotina de milhões de trabalhadores, lembrando ainda a alta subnotificação das doenças do trabalho. Por fim cita dado da pesquisa realizada pela Genial/Quest, em que 72% dos entrevistados apoiam o fim da jornada 6 X 1.

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