Manifestações transmitidas por bancários e bancárias em redes sociais indicam que o 10 de setembro, primeiro dia de greve na Caixa, foi muito bem-sucedido em todo o país.
No entanto, o portal da Contraf-CUT, confederação à qual se vincula a maioria dos sindicatos de bancários, limita-se a fotografias sem menção a localidades ou grau de adesão ao movimento e tampouco registra manifestações típicas de movimento paredista.
A publicação no portal revela-se burocrática, mas não surpreende. Afinal, a greve na Caixa se iniciou apesar da Contraf-CUT e de muitos de seus sindicatos, não por sua orientação ou iniciativa. Nada diferente se pode dizer da outra confederação, a Contec.
Caudatária
Contraf-CUT, coordenadora da principal mesa de negociação específica, transmite que a Caixa, no primeiro dia de greve, apresentou nova proposta. Por ela, mantém-se aquilo já definido para a categoria em convenção coletiva quanto a reajustes e demais cláusulas, agora com acréscimo de abono único vinculado a metas.
Quanto ao Saúde Caixa, a razão da greve, tal proposta pouco acrescenta se comparada àquela apresentada em 29 de agosto, já rejeitada em assembleias. Altera-se um ou outro percentual de alíquota mensal, promete-se para o futuro, se houver aval de governo, mais participação do banco no custeio, mas sem nada de descartar a majoração significativa de custo para empregados da ativa, aposentados e pensionistas.
No essencial, a proposta de agora, tanto quanto a rejeitada, deixa de restabelecer a proporção 70/30 e mantém a discriminação a concursados admitidos a partir de 1º de setembro de 2018, cassando seu direito no pós-emprego. O desenho pretendido é etário, quebrando solidariedade e mutualismo, dando ao Saúde Caixa padrão de seguro saúde de mercado. A intenção é a personalidade jurídica própria, desvinculando-se o programa da gestão na Caixa.
Trabalhadores não são pusilânimes
Diz a Contraf-CUT que a proposta é final. Aliás, a anterior foi divulgada e apoiada pela Confederação sob tal cantilena. Anuncia-se a realização, neste 11 de setembro, de assembleias ou plebiscitos virtuais para avaliação. Já sem disfarces, Contraf-CUT e sua aliada Fenae registram que é melhor contentar-se com isso.
Não é papel de qualquer entidade o de porta-voz de chantagem de banco, hoje caracterizada pela ameaça de instauração de dissídio coletivo. Dissídio coletivo é coisa de tempos imemoriais, prática da empresa em governos enterrados.
Ameaças são praxe em negociação. Os trabalhadores estão demonstrando disposição de luta. Não são pusilânimes. Aqueles que se anunciam representantes devem se envolver, respeitar e apoiar essa luta.