Os negociadores, coordenados na principal mesa pela Contraf-CUT, confederação ladeada pela Fenae, olharam de soslaio a mobilização na Caixa. Porta-vozes que são, transmitiram rapidamente a ameaça de dissídio, chantagem para a superação do inconveniente criado pela greve de trabalhadores iniciada em 10 de setembro. Dissídio coletivo é coisa de tempos imemoriais, modelo nefasto da empresa em governos enterrados nos anos 1990. Da direção do banco, amparada pelo governo atual, não se espera prática semelhante.
O Saúde Caixa é o ponto motivador do movimento. Sua descaracterização, em formulação despejada da mesa de negociação, vem sendo rejeitada em todo o país.
Desde sua instituição, o Saúde Caixa teve por princípio o direito de usuários independentemente de idade, da condição de empregado da ativa ou aposentado, da data de admissão na Caixa. Alíquota mensal, percentual e limite anual na coparticipação amparados na isonomia.
O que Caixa propõe e conta com a anuência dos negociadores é a quebra do princípio. A intenção é criar variáveis adequadas ao sistema de seguro de saúde de mercado.
Não à toa, o modelo pretendido determina faixas etárias, segregação pelo vínculo com a Caixa ou Funcef, alíquotas crescentes, encarecimento do custo do titular e por dependente. Mantém, ainda, a exclusão de milhares na aposentadoria. Nos corredores do banco, especula-se personalidade jurídica própria do programa de saúde, desvinculando-o da Caixa.
A ver se aquelas entidades que se pretendem representantes assumem agora seu papel e se alinham ao interesse de trabalhadores da ativa, de aposentados e de pensionistas da Caixa.
Uma imagem, mais que muitas palavras
A foto aqui reproduzida acompanha matéria “Maioria das bases rejeita proposta da Caixa e greve continua”, publicada na noite de ontem (11) pela Contraf-CUT.