Saúde Caixa, desde 29 de agosto, três propostas. Em cada uma delas o rótulo de “final” e condescendência dos negociadores. Trabalhadores em greve por conta própria. Para a proposta de 17 de setembro, tão ruim quanto as anteriores, marcadas assembleias ou plebiscitos para 21 de setembro. Da quinta-feira 17 à segunda-feira 21, tempo de pressão sobre os grevistas. A ver o que ocorrerá.
Aqui, destaque desse período em manifestações da Contraf-CUT e Fenae, entidades cujos núcleos dirigentes coordenam a mesa principal.
29 de agosto, portal Contraf-CUT
Matéria: “Caixa apresenta proposta final para o Saúde Caixa e negociações avançam em carreira e remuneração variável”. Há referência a “avanços em alguns pontos”, mas “especialmente no Saúde Caixa, permanecem divergências importantes”.
Foi a primeira “proposta final”, sem que houvesse, não obstante as divergências importantes, manifestação contrária de negociadores.
10 de setembro, portal Fenae:
Matéria: “Proposta da Caixa: entenda os principais pontos da negociação”. Menção a mais uma “proposta final do banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT)”. Tratava-se da segunda “proposta final” expelida da mesa e, na entrelinha, posição simpática da entidade. Era o primeiro dia da greve deflagrada pelos trabalhadores.
11 de setembro, portal Fenae
Matéria registra que “durante a live (da Fenae) urgente de tira dúvidas, os participantes explicaram o alcance da proposta da Caixa para renovar o ACT e as implicações de uma possível judicialização por intermédio do Tribunal Superior do Trabalho (TST)”. Didática exemplar, objetivamente contrapondo ou isso ou TST. Transcorria-se o segundo dia da greve.
17 de setembro, portal Contrf-CUT
Matéria: “Proposta da Caixa avança em pontos centrais e preserva direitos; entenda o que será votado na segunda (21)”. O texto é laudatório da proposta.
Enfim, a Confederação menciona os pós-agosto de 2018. Por conta dos acordos defendidos pela Contraf-CUT, os admitidos a partir de 1º de setembro de 2018 perdem o direito ao Saúde Caixa quando da aposentadoria. Agora, “a proposta não resolve imediatamente essa questão, mas inclui o tema no novo modelo de gestão e nas discussões sobre o futuro do plano”. Quem sabe no futuro!
Em 18 de setembro, portal Fenae
Matéria traz nota, subscrita também pela Fenacef, indicando “aceitação da proposta apresentada pela Caixa em 17/9/26 na Campanha Nacional 2026”. A nota valoriza a mobilização dos trabalhadores da ativa, aposentados e a “a atuação das entidades”.
Para a Fenae, “a negociação representa um passo importante na defesa dos direitos da categoria, na sustentabilidade do Saúde Caixa e na valorização do Pessoal da Caixa”.
Sabujices e louvores
Nos textos, nada de rejeição à salgada elevação de custos, ao débito sobre o décimo terceiro, à cobrança sobre benefício teórico. Menciona-se o novo limite de custeio da Caixa, de 9%, sem nenhuma referência ao restabelecimento da proporção 70/30, embora CGPAR 52, resolução governamental, permita tal proporção. E os pós-agosto de 2018? Quem sabe no futuro!
Os negociadores revelam comportamento sabujo. Mas ressalte-se a inexistência, diferentemente de campanhas anteriores, de expressões como “vitória” e “graças à pressão das entidades”.
Sobrevive o substantivo “avanço”. Há que se tolerar. Afinal, não se pode exigir o fim de todos os louvores.