Movimento

O lugar do aposentado e a campanha de 2026

Em edições recentes do Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (CONECEF), organizado pela Contraf-CUT, aposentados têm sido admitidos por representação limitada, simbólica. Há décadas, esse segmento participava das discussões, com presença proporcional ao número de aposentados em cada base.

Sindicatos de algumas regiões impediram aposentados de votarem em seus plebiscitos ou assembleias nesta campanha, embora em outras, até mesmo recentes, houvesse apelo pela participação.

Em redes sociais, houve críticas a aposentados. Receberam a pecha de folgados, aqueles que, não obrigados à jornada diária, metiam-se a comentar e instigar a greve na Caixa.

Houve, ainda, quem atribuísse aos aposentados posição confortável em relação ao Saúde Caixa. Razão para tanto? Entre outras, a maioria teria no máximo um dependente. Assim, custo menor.

Os aposentados sempre estiveram presentes no movimento dos trabalhadores. Quem conhece a história sabe e os respeita.

Muitas APCEFs, incluindo as engajadas no movimento, mantêm  aposentados entre seus associados. Eles participam da vida da entidade.

No Saúde Caixa, aposentados contribuem com base em sua remuneração, nela somados valor pago pelo plano Funcef e valor do INSS. A Caixa, neste aspecto, tem a base de contribuição bem inferior.

Ao longo do tempo, os atuais aposentados deixarão o Saúde Caixa. É imposição da  natureza. E, a prevalecer a vergonhosa e discriminatória exclusão dos concursados admitidos a partir de 1º de setembro de 2018, o número de aposentados a ingressarem será sempre decrescente. É uma forma de esvaziamento do Saúde Caixa e, indiretamente, de encarecimento aos remanescentes.

A Caixa, entregue pelo governo eleito a gente de orientação política que contradiz compromissos de campanha desse mesmo governo, impõe seu olhar para  aos poucos transformar direito em produto de mercado. O caminho para atacar trabalhadores segue traçado pela direção do banco.

Em contraponto, empregados da ativa e aposentados devem ser chamados à  luta em nome de todos. São integrantes da categoria, independentemente de sua condição. A campanha deste ano deixou muitas pendências.

Lembrança deste redator, um aposentado:

Certa vez testemunhei, em rodada inicial de negociação com a Caixa, fala de representante do banco na qual solicitava –  gentilmente, é verdade – a saída de Décio de Carvalho, aposentado então presente, eleito que fora em congresso dos trabalhadores. O Dr. Décio, como era tratado,  respondeu afirmando, embora não com essas palavras, mas com esse sentido, que já militava e lutava por trabalhadores e pela Caixa quando ele, representante da empresa, nem teria ainda condições de prestar concurso. E, da mesma forma, lutavam outros tantos e tantos a quem o Dr. Décio representava naquele momento. Permaneceu integrando a comissão de negociação.

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